“Eu não quero saber do seu partido político, pouco me interessa sua religião, seu segmento artístico, sua orientação sexual, quanto você ganha. Hoje o que nos une é a defesa da democracia, tão golpeada por um golpe antipopular, machista, que segue no nosso país. Defender Lula é defender a democracia no Brasil”, anunciou a cantora e compositora Leci Brandão na noite de quinta-feira (18), instantes antes de animar o público composto por artistas, intelectuais e apoiadores que compareceram à Casa de Portugal, em São Paulo, para demonstrar solidariedade e apoio a Lula e a eleições livres e justas.

“A comunidade brasileira, todas as comunidades deste país, estão morrendo de saudade de você. É muita saudade! A covardia está aí. A gente sabe que o grande problema é que os golpistas não aceitam seu pecado, que foi tratar as pessoas com respeito. Você respeita a diversidade do Brasil!”, anunciou a cantora.

A possibilidade de uma candidatura impedida não é aceitável porque representa a retirada completa da voz e do direito do povo escolher o projeto de Brasil que quer para si. “Não vamos aceitar não ter Lula nas próximas eleições”, anunciou a cineasta Laís Bodanszki.

Em uma noite animada com muita música, arte e efervescente de cultura e resistência, artistas como a poeta Alice Ruiz e o músico Edgar Scandurra manifestaram sua luta e emoção ao público presente. “Esse cara fala comigo, com o trabalhador, com o desempregado, ele fala com todo mundo do mesmo jeito, porque ele é um homem do povo. Estou feliz de estar aqui para apoiar essa pessoa maravilhosa que é esse estadista. Lula, que história linda você tem, você é meu herói! Conte comigo, Lula!

“A esperança que ele semeou chegou no meu coração e no coração de muita gente preta da periferia. Vi irmãos e irmãs se formando em Medicina, em Engenharia. Vi renascer com força um movimento negro a partir de muita coisa que a gente vinha trazendo desde lá de trás, e disso não podemos abrir mão!”, ressaltou o ator Ailton Graça.

Ricardo Stuckert

Artistas e intelectuais demonstram solidariedade a Lula em São Paulo

A cultura enquanto expressão política serviu, na noite paulistana, para alertar para o absurdo do processo deperseguição política de que o ex-presidente é vítima. “Somos alegres, mas não somos passivos nem somos mansos e não vamos admitir uma injustiça. Se tiver condenação de Lula estaremos na rua˜, anunciou a Presidenta Nacional do PT, Gleisi Hoffmann.

A senadora lembrou que não há provas de qualquer espécie de que Lula tenha cometido os crimes pelos quais foi condenado. Isso dá à Justiça a oportunidade de mostrar ao Brasil que e ao mundo que é imparcial.

“Se houver julgamento justo, imparcial e independente, como deve ser qualquer julgamento, o presidente Lula terá sua inocência reconhecida, que é o único resultado compatível com aquilo que consta no processo”, reiterou o advogado de defesa do ex-presidente  Cristiano Zanin Martins

Na avaliação de Fabio Konder Comparato, o que está por trás desse processo é que, após cinco séculos de dominação, uma novidade pode ser observada na realidade brasileira“A oligarquia está com medo. A razão desse processo na Justiça Federal contra Lula é exatamente devido a isso.”

“A grande mudança é esta sensação de temor que tem a oligarquia ao ver um homem que veio da classe operária ser chefe de Estado no Brasil.”

A análise encontra ecos na fala do artista Alessandro Azevedo, para quem o apoio a Lula representa o apoio à permanência da democracia. “É luta de classe e nós somos guerreiros! Não querem só tirar a nossa liberdade, querem tirar a liberdade do povo. Vamos para a rua, o povo do circo te apoia, Lula!”

“Eu vi o presente pegar o futuro e tentar levar para o passado. Isso é retrocesso e não pode acontecer”, disse o cantor Odair José. “Ando pelo Brasil desde 1969. Já vi muita gente fazer e não fazer coisas pelo povo e sei que muita coisa precisa ser feita. Acho que a força está com as pessoas, meu destino misturado com o destino do povo brasileiro através do meu trabalho. Sou pró-povo, e por isso pró-Lula!”

Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert

Artistas e intelectuais demonstram solidariedade a Lula em São Paulo

Lula: “Estou com a tranquilidade dos justos, dos inocentes. Sei que não cometi crime”

Quando a gente ouve muita gente falando, elogiando, enaltecendo e defendendo a gente, a gente corre o risco de acreditar em tudo que falam e o ego pode começar a crescer. Será que sou tão bom quanto as pessoas disseram? A verdade é que eu não seria o que eu sou se não fossem vocês. Se não fossem os trabalhadores brasileiros, os metalúrgicos, os químicos, os pedreiros, os comerciários, os sem-terra, os sem-teto. Se não fosse a sociedade brasileira acreditar em democracia, eu não teria chegado aonde cheguei. Não fui eu que governei, fomos nós que governamos o país!

Quando deixou a Presidência com índices recordes de aprovação, era comum que Lula fosse questionado sobre qual era o milagre que tinha feito com que 36 milhões de pessoas tivessem saído da miséria, outros tantos fossem às universidades, e ainda iniciado projetos históricos como a transposição do Rio São Francisco.

“Eu tinha que contar o que aconteceu no nosso governo. Mas, de repente, começaram a criminalizar minhas palestras. Começaram a criminalizar a política de Estado que a gente tinha definido de ajudar o desenvolvimento dos países da América Latina e da África. Começaram um processo de mentiras contra o PT e contra o Lula”, relembra.

Desde 2014 o ex-presidente chama a atenção para o início desse processo de criminalização do Partido dos Trabalhadores. “Venderam que a sociedade tinha uma doença grave chamada PT, chamada Dilma, e era preciso tirar essa doença. Venderam essa ideia atacando um governo como jamais foi atacado. Criaram uma narrativa de que tudo era um desastre e deram uma anestesia na sociedade brasileira.”

Como Lula tem reiterado, somente agora estamos começando a acordar dessa anestesia. Não houve reação à altura para a retirada de direitos históricos dos trabalhadores. Agora, é preciso mobilização e força para reagir à Reforma de Previdência, para que não tirem a aposentadoria de quem trabalha a vida toda e façam o povo pagar a conta.

Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert

Artistas e intelectuais demonstram solidariedade a Lula em São Paulo

“Começo a ficar inquieto, mas não com o meu processo. Duvido que os juízes que já me julgaram e os que ainda vão me julgar estejam com a tranquilidade que eu estou. Estou com a tranquilidade dos justos, dos inocentes. Sei que não cometi crime. Sei que não tenho apartamento e eles sabem”, relatou. “A desgraça da primeira mentira é que você passa o resto da vida mentindo para justificar a primeira mentira. O delegado da Lava Jato mentiu.”

A ligação de Sérgio Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal com a mídia tornam mais difícil desdizer o que já repetem mentirosamente há tanto tempo. Após mais de 30 horas de “Jornal Nacional” falando sobre o triplex da OAS, como vão assumir a verdade: que ele não é e nunca foi de Lula?

“Como eles vão dizer que mentiram tanto? E como o Moro vai se explicar?”, questiona Lula.  “Será que o ódio é porque conseguimos fazer com que as pessoas tivessem acesso a coisas tão elementares? Eu saí da Presidência com 87% de bom e ótimo. Isso foi conquistado por obra de vocês em apenas oito anos. Eles achavam que, eu sendo eleito, este país seria um fracasso.”

De fato, nos 12 anos de governos do PT o país mudou de cara. A empregada doméstica deixou de ser tratada como escrava e passou a ser tratada como gente. O pequeno produtor rural passou a ter financiamento, passou a ter o PAA, o mais alimentos. As escolas técnicas voltaram a serem feitas. “O que aconteceu é que o povo aprendeu que é bom ter direitos!”

Com Lula e o PT, o Brasil aprendeu a andar de cabeça erguida, virou protagonista internacional, gosta de lembrar o ex-presidente.

Mais maduro, Lula quer provar que a única forma de consertar o Brasil é através da inclusão do povo pobre. “Se eles não sabem como fazer, peçam desculpa pelo estrago que fizeram e permitam que um humilde torneiro mecânico volte com o apoio de vocês e conserte esse pais”, declarou. “Eles têm que aprender de uma vez por todas que democracia não é ter o direito de gritar que está com fome, é ter o direito de comer. Democracia não é dizer que todos têm direito à educação, é que todos tenham educação de verdade.”

Sobre o julgamento que acontece no próximo dia 24 em Porto Alegre, Lula reafirmou que tem total confiança em seus advogados. “A única garantia que dou a vocês é de que sou inocente. Com a mesma honradez que em 1978 eu dizia na porta de fábrica que o único medo que eu tinha era o de mentir para os trabalhadores: eu jamais colocaria vocês em uma luta dessas se eu estivesse escondendo alguma coisa de vocês.”

 

“Eles inventaram um crime jurídico. Estou disposto a enfrentá-los e estou disposto a acatar o resultado do povo brasileiro. Se meu partido quiser aceitar o desafio de querer que o Lula seja candidato, esse velhinho cheio deenergia e cheio de tesão estará candidato. Vamos fazer muita luta neste país!”, anunciou o ex-presidente.

“Eu estava muito tranquilo depois de deixar a Presidência com a perfomance que eu deixei. Agora, estou tranquilo e a minha tranquilidade vai infernizar a vida deles.”

Por Clarice Cardoso, da Redação da Agência PT de Notícias

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